
Pela Palestina
Jan 5, 2009 | publicado por Paz
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CONTRA O MASSACRE DE GAZA - CONCENTRAÇÃO EM LISBOA, DIAS 5 e 8
Jan 5, 2009 | publicado por Paz
*FIM AO MASSACRE DE GAZA!*
*POR UM ANO NOVO SEM CRIMES DE GUERRA ISRAELITAS!*
No momento em que festejamos a passagem de ano com fogos de artifício na cidade de Lisboa, o povo de Gaza vive sob o fogo real da artilharia e da aviação israelita.
Nos primeiros dez minutos da ofensiva morreram mais de 200 pessoas e ficaram feridas ou estropiadas mais de 600. Alegadamente, tudo isto era resposta “proporcional” aos morteiros artesanais palestinianos, que em 7 anos mataram
20 israelitas. Na verdade, o bombardeamento israelita é um novo passo na destruição do povo palestiniano: neste momento já há outras tantas centenas de mortos e milhares de feridos; prosseguem os ataques a uma população que não tem para onde fugir nem como se defender, já que a Faixa de Gaza tem vivido sob um bloqueio que priva os seus habitantes de água potável, de energia, de alimentos, de medicamentos.
O cessar-fogo que os EUA, a UE e a ONU exigem aos palestinianos seria, nessas condições, a morte lenta para um povo cercado. Se alguém aqui está a defender-se, são os palestinianos de Gaza, que elegeram democraticamente o seu governo e a quem o Estado de Israel tem invadido, ocupado e roubado as terras, as propriedades e as casas.
Não vamos calar-nos diante dos crimes de guerra e do abuso de força. Apelamos à participação de todos e todas nas acções que estão a ser preparadas por várias organizações em Lisboa:
5 de Janeiro a partir das 18h
no Largo de S. Domingos, junto ao memorial às vítimas da intolerância
8 de Janeiro a partir das 18h
em frente do check-point que a embaixada israelita instalou na colonizada Rua António Enes, nº 16, a S. Sebastião
Esta última iniciativa é apoiada por:
Associação Abril - Bloco de Esquerda - CGTP - Colectivo Abu-Jamal - Colectivo Revista Rubra - Comité de Solidariedade com a Palestina - CPPC - Fórum pela Paz - MDM - Monthly Review - MPPM - Plataforma Guetto - Política Operária -
Shift - SOS Racismo - SPGL - Tribunal do Iraque
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Seminário internacional: Em defesa do direito à água
Jan 5, 2009 | publicado por Paz
PROGRAMA
MANIFESTO
Comissão Promotora
João Bau, investigador; João M Almeida, químico; Paula Lopes; Rita Calvário, eng.ª agrónoma; Rui Cortes, professor universitário; Susana Neto, eng.ª civil; Ricardo Paes Mamede, economista e investigador; Lia Vasconcelos, professora universitária; Leandro del Moral, professor universitário e presidente da FNCA; Pedro Arrojo, professor universitário; Sandra Monteiro, directora do Le Monde Diplomatique – Ed. Portuguesa; Ana Vale (EQUAL); Maria do Carmos Nunes; Bunker Roy (Barefoot College, India); José Maria Castro Caldas, economista e professor universitário; Paulo Fidalgo, médico; Cipriano Justo, médico e professor universitário; António Avelãs, presidente do spgl; Luís Fazenda, deputado; Alda Macedo, deputada
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Gaza: as reacções do costume e as outras
Jan 1, 2009 | publicado por Paz
Presidência tcheca: como era de prever
La diplomatie tchèque n’a pas tardé à réagir { aux bombardements } et le ministre des Affaires étrangères, Karel Schwarzenberg, a approuvé la position adoptée par Israël par l’intermédiaire de sa porte-parole, Zuzana Opletalová :
“Le ministre considère comme inacceptable que des localités israéliennes peuplées de civils soient bombardées et qu’Israël a absolument le droit de se défendre contre de telles attaques. Les bombardements perpétrés par le Hamas empêchent de considérer ce mouvement comme un partenaire pour des négociations, pour mener un dialogue politique quel qu’il soit.”
Em Israel, nem todos pensam do mesmo modo
Condamner les «deux côtés» : pire que les assassins!
Michel Warschawski Alternative Information Center (AIC)
Barak, Olmert, Livni et Ashkenazi auront un jour à répondre de crimes de guerre devant une cour de justice, comme d’autres criminels de guerre. En conséquence, notre devoir est d’informer sur leurs actes et déclarations pour être sûrs qu’ils payeront pour les massacres qu’ils ont ordonnés et commis.
Mais une autre catégorie de criminels pourrait échapper aux tribunaux. Ils ne se salissent pas les mains le sang des civils, mais fournissent les justifications intellectuelles et pseudo morales des assassins. Ils constituent l’unité de propagande du gouvernement et de l’armée des tueurs.
Les écrivains israéliens Amos Oz, et A. B. Yehoshua sont les exemples type de tels misérables intellectuels, et ce n’est pas la première fois! A chaque guerre ils se portent volontaires pour l’effort de guerre israélien, sans même enrôlement officiel. Leur première tâche est de fournie des justifications à l’offensive israélienne, puis, dans un second temps, ils pleurent leur virginité perdue et accusent l’autre camp de nous avoir obligés à être brutaux.
La justification fournie par Oz dans Corriera de la Serra, et par Yehoshua dansLa Stampa est évidemment la nécessité de réagir aux roquettes sur Sderot, comme si tout commençait avec ces roquettes. « J’ai dû expliquer aux Italiens - écrit Yehoshua dans Haaretz 30 décembre 2008 -pourquoi l’action israélienne était nécessaire…. »
Yehoshua et Oz ont oublié 19 mois de siège israélien brutal imposé à un million et demi d’êtres humains, les privant des fournitures les plus élémentaires. Ils ont oublié le boycott israélien et international du gouvernement palestinien démocratiquement élu. Ils ont oublié la séparation forcée de Gaza et de la Cisjordanie, séparation faite pour isoler et punir la population de Gaza de son choix démocratique incorrect.
Après avoir choisi de réécrire la chronologie des événements, Oz et Yehoshua utilisent l’argument de la symétrie: la violence est utilisée des deux côtés et il y a des victimes innocentes à Gaza comme en Israël. En effet, chaque civil tué est une victime innocente. Cependant, la chronologie et le nombre ne sont pas hors propos: 3 civils israéliens ont été tués dans le sud d’Israël, mais seulement après que l’aviation israélienne ait commis son massacre planifié dans le centre de la ville de Gaza, en tuant plus de 300.
Cette position des intellectuels les plus en vue d’Israël sert de justification morale au soutien que le parti de la gauche sioniste Meretz apporte à l’agression criminelle du ministre de la défense Barak. Meretz aussi exprimera en temps voulu son opposition aux meurtres, c’est à dire lorsque la communauté internationale exprimera sa préoccupation pour les fautes d’Israël. Pour l’instant cette communauté internationale demeure silencieuse et semble même heureuse de la contribution israélienne à sa sainte croisade contre la menace globale islamique.
Pour montrer de la préoccupation, l’Europe envoie une assistance humanitaire (symbolique) à la population de Gaza. En entendant le ministre français des Affaires Etrangères, Bernard Kouchner soutenir l’action israélienne, en même temps qu’il annonce la décision d’envoyer des produits humanitaires à Gaza, je n’ai pu m’empêcher de me souvenir des informations sur les délégations de de la Croix Rouge Internationale qui venaient visiter les camps d’extermination nazis avec des chocolats et des biscuits. Je sais que ce n’est pas la même chose, mais personne ne peut contrôler ses associations mentales.
Bernard Kouchner a cependant une circonstance atténuante: les régimes arabes, en particulier celui d’Hosni Moubarak, soutiennent aussi l’agression israélienne. Et ils vont aussi envoyer du chocolat et des biscuits aux enfants de Gaza, sauf bien sûr à ceux qui gisent morts à l’hôpital de Shifa .
Traduction Michèle Sibony
Paris: Nous sommes tous des palestiniens
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Carta a Luís Amado
Jan 1, 2009 | publicado por Paz
Miguel portas
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A 3 de Dezembro, liberais, verdes, socialistas, esquerda e ainda vários deputados de direita constituíram uma sólida maioria no Parlamento Europeu para adiar sine die a votação de uma resolução que propunha elevar o nível das relações entre a União e o Estado de Israel. Que aconteceu para que tal maioria se formasse? Apenas a convicção de que a realidade do conflito no terreno não justificava o prémio.
Apesar desta opinião, o Conselho decidiu, dez dias mais tarde, o up grade das relações com Telavive. Contra a vontade dos eleitos, os governos quiseram apoiar a senhora Tzipi Livni na difícil contenda eleitoral que a espera no próximo mês de Fevereiro.
Esta decisão não constituiu apenas uma interferência nos assuntos internos de Israel. Esse antigo hábito, pelos vistos, não incomoda ninguém. O que me incomoda a mim, como cidadão e como eleito, é que o Conselho, com o apoio do governo do meu país, tenha tomado tal decisão quando era um segredo de polichinelo que Israel, entre uma operação aérea contra o Irão ou mais uma punição colectiva sobre os palestinianos, tinha optado por esta.
O que o meu governo, presumo que com o seu aviso, caucionou antecipadamente foi uma tragédia anunciada. Aliás, só decidiram como decidiram porque conheciam as intenções de Telavive. Depois da ofensiva contra Gaza, a elevação das relações com Israel seria bem mais difícil de explicar às opiniões públicas.
A sua nota atribui aos rockets artesanais lançados de Gaza a primeira responsabilidade pela tragédia. Além de indigno é, factualmente, falso. Só em seguida deplora o “uso desproporcionado da força”. Como se pode classificar deste modo uma matança que só nos três primeiros dias fez 350 vítimas? Não sente nem um grama de peso na consciência quando constata que a decisão do Conselho “libertou” Israel de qualquer ponderação do “factor Europa” na decisão militar que tomou?
Desde que sou eurodeputado, sigo diariamente a política europeia para este conflito. Devo dizer-lhe, com toda a franqueza que, além de execrável, é francamente estúpida. Execrável foi pedir aos palestinianos que votassem para, no dia seguinte, se bloquear o governo saído das únicas eleições realmente limpas até hoje realizadas no mundo árabe; execrável é agora a caução dada a um crime sobredeterminado por uma eleição. Até quando irá a Europa prestar-se a este papel, que a presidência checa só pode agravar? Até quando continuará Portugal a delapidar o capital de mediação que conquistou no conflito em Timor?
A parte da estupidez, conhece-a tão bem como eu: quando os mortos de Gaza forem a enterrar e se reconstruir, pela enésima vez, o que as bombas e mísseis israelitas acabaram de destruir, já se sabe quem vai pagar. Sucede que naquele mundo ninguém agradece - e ainda bem - a subalternos da política de terceiros.
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Harold Pinter 10.10.1930 – 24.12.2008
Dez 25, 2008 | publicado por Paz
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Dona Branca
Dez 20, 2008 | publicado por Paz
por Miguel Portas, no Sol de Esquerda

Os mais novos talvez não se lembrem, mas aqui há uns anos houve uma mulher do povo que enriqueceu e enriqueceu e enriqueceu até ao momento em que se afundou e com ela afundou milhares de pequenas poupanças de incautos levados ao engano. Chamava-se dona Branca ou, pelo menos assim lhe chamava o povo.
O esquema da dona Branca tinha a simplicidade das coisas simples: remunerava o “investimento” a taxas altíssimas porque cada investimento se responsabilizava por arranjar novos investidores. Até ao dia em que ganhar dinheiro sem trabalho se tornou impossível.
Não foi a dona Branca quem inventou o esquema, mas um mago das matemáticas financeiras chamado Ponzi. Nessa altura, ninguém sabia quem era o senhor Ponzi. A dona Branca foi um acontecimento e exibida na praça pública como caloteira, o que até nem era mentira. Mas a coisa parecia uma típica esperteza de “mulher do povo” e os perdedores eram, também, gente simples.
Sucede que agora surgiu um homem das elites fazendo rigorosamente o mesmo, mas em grande, em muito grande mesmo - 50 mil milhões de dólares de grandeza, para sermos mais precisos. O senhor chama-se Madoff e era, nem mais nem menos, o presidente da bolsa de valores tecnológicos de Nova Iorque. 50 mil milhões de dólares é massa que nunca mais acaba e foi apenas a que a pirâmide perdeu depois de ter dado a ganhar bem mais do que isso durante anos e anos. O senhor Bernard Madoff, ao contrário da dona Branca, é uma criatura respeitável, um escroque sem mácula. A autoridade que regula os mercados financeiros norte-americanos recebia denúncias desde 1999 e não actuou. Tal como o Banco de Portugal no caso BPN. Agora, o super polícia dos dólares de Nova Iorque sente-se “muito perturbado”. Diz que ainda não percebeu como pôde falhar durante dez anos. Pudera! Tem atrás dele alguns crédulos - Steven Spielberg ou o nobel da Paz, Ellie Wiesel são apenas dois numa lista de ilustres - e principalmente uma longa lista de instituições que deveriam estar ao abrigo da inocência - o principal banco francês, meia banca de Espanha, uma mão cheia de fundos israelitas e até 98 milhões de euros de bancos e fundos portugueses. Eles foram, todos, o “povo” do senhor Madoff. Confesso que um sorriso cínico me chega ao rosto enquanto escrevo. Afinal, os tão sabedores foram comidos que nem patinhos.
Perguntava-se, há dias, dom José Policarpo se o que está a acontecer são disfunções do sistema ou se é o próprio modelo que está errado. A resposta vem de Nova Iorque. Se fosse apenas mais uma “pirâmide”, mais uma dona Branca, ainda se poderia dizer que o problema era de defeito e, portanto, corrigível. Mas quando o vírus atinge o topo e envolve o topo, é fisiológico. Eis uma notícia que de bom grado pouparia em plena quadra natalícia. Mas para o que aí vem, mais vale saber-se do que não se saber. A ignorância não serve a inocência. Bem pelo contrário.
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Como é isto possível?
Dez 18, 2008 | publicado por Paz
Publicado em exclusivo pelo Libération, hoje. Vídeo filmado no interior do centro de retenção administrativa de Pamandzi em Mayotte, em Outubro de 2008.
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Outros documentos:
Les bas fonds de la République ultramarine: le centre de rétention de Mayotte, em Combats pour les droits de l’homme, um blogue animado por Serge SLAMA
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Vídeos da semana
Dez 18, 2008 | publicado por Paz
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A propósito do fórum das esquerdas
Dez 15, 2008 | publicado por mportas
Durante esta semana os analistas especularão seguramente sobre as consequências do Fórum das Esquerdas deste domingo. É normal e justificado.
Durante muito tempo, Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, sustentou que as demarcações de Manuel Alegre face à política oficial do seu partido não tinham outro objectivo senão o de servir de almofada de esquerda a José Sócrates. Neste particular, coincidia com as análises expressas nas teses do último congresso do PCP e de algumas das principais intervenções aí proferidas.
Esta análise não se aguenta mais desde ontem à tarde.
Marcelo passou para outro campeonato. Agora sustenta que se Manuel Alegre avançar para um novo partido, isso seria uma dádiva dos deuses a Manuela Ferreira Leite.
A leitura não é, portanto, desinteressada. Mas o caminho insinuado não fica mais provável porque o professor o deseje…
Outro jornalista em formato de comentário, Raposo Antunes do Público, prefere a adivinhação. Diz ele, com elevado grau de objectividade, que “mesmo que Manuel Alegre se exponha a protagonizar mais algum papel ingrato”, “BE e PCP vão perder pau e bola”. Porquê? “Porque não têm condições para vir a ser aliados dos socialistas”.
Grande trapalhada! Raposo Antunes diminui o papel de Manuel Alegre: esse o primeiro equívoco. Diminui em seguida a relevância do que venha a decidir: é o segundo equívoco. Finalmente, acha que à esquerda nada muda, mesmo quando está tudo em movimento. Sustenta que o PC nunca fará acordos com o PS por razões “éticas”, quando essa é matéria obviamente irrelevante para o que se propõe discutir - saber se existem ou não convergências de política que sustentem uma aproximação política. Quanto ao BE, chega ser divertido: “ainda não é seguramente um bloco”, esquecendo que a sua direcção é a mais antiga de quantas existem hoje na cena política portuguesa. Melhor do que ele, só Vasco Pulido Valente que pensa estar o bloco a desagregar-se…
Pedro Adão e Silva, no DN, desenvolve uma análise muito semelhante à de Raposo Antunes no que toca às consequências. Diz Adão e Silva que o resultado de uma ruptura de Manuel Alegre com os rumos do PS seria “uma situação de ingovernabilidade e uma coligação de bloco central”. Em apoio, explica que a ruptura de Oskar Lafontaine com o partido socialista alemão (por lá chama-se social-democrata) e sua junção aos sectores de esquerda mais radical num novo partido, o Die Linke, foi responsável pela formação de um governo de grande coligação ao centro.
A opinião de Pedro Adão e Silva também não é desinteressada. Ele é um socialista que detestaria ver o seu partido deslizar ainda mais para a direita. Isso não autoriza, contudo, que se ajustem os factos ao argumento. Com efeito, no parlamento alemão existe, matematicamente, uma maioria social-democrata, verde e de esquerda. Foram os socialistas que preferiram coligar-se à direita e não uma imposição da esquerda. A razão para tal opção foi a mesma que decidiu Lafontaine à clarificação com o seu partido de sempre: metido o socialismo na gaveta, o carril da direita é o mais convidativo para a manutenção na esfera do poder. Pedro Adão e Silva intui, a 9 meses de distância, que esse é o caminho que o seu partido vai escolher porque, de facto, é o que tem escolhido. Não vale é a pena desculpar-se com a esquerda…
Finalmente, um comentário sobre o comentário e o jonalismo políticos:
Por um lado, os media interpretaram correctamente o que se passou na Aula Magna: Manuel Alegre declarou que
a reconfiguração da esquerda implica a necessidade e a vontade de construir uma perspectiva alternativa de poder”
Mais ainda, explicitou os eixos que, em sua opinião, devem estruturar tal alternativa. Isto é, efectivamente, novo. Não se trata, como até aqui, de expressar e assumir a sua discordância com medidas do governo. É a primeira vez que se pronuncia pela necessidade de, juntando esquerdas, criar a força e a proposta necessárias para inverter as políticas que temos tido.
A partir daqui, o jornalismo fica excitado e os comentadores ansiosos: vem aí o partido? Manuel Alegre bem se pode desdobrar em declarações sobre o facto de um partido “ser algo que não se decreta”. Nos media, a política vive do já ou, no máximo, do amanhã de manhã bem cedo. Não faço a menor ideia se é essa a intenção de Manuel Alegre. Ele a esclarecerá quando bem entender. Apenas sei que há muitos modos - e não um só - de resolver uma equação que não é da ordem do amanhã de manhã porque envolve sentido de construção estratégica. “A coragem de virar a página e construir uma nova alternativa”, dotada de ambição maioritária e de clareza política e programática, é algo que a crise coloca na agenda política, mas que não se esgota em Setembro de 2009. Revejo-me no diagnóstico e estou pronto para ajudar. O próprio Bloco é uma expressão dessa vontade e sabe que não é nem o princípio nem o fim da História, mas simplesmente, o que já não é pouco, parte dela. Mas também sei que quando os problemas que temos de enfrentar são profundos, exigem mais do que pensos rápidos.
Por causa das minhas actuais responsabilidades, conheço razoavelmente bem a situação nos diferentes partidos de esquerda e nos sectores de esquerda dos diferentes partidos socialistas europeus. Não tenho dúvidas de que uma alternativa que se queira popular e capaz de disputar a hegemonia política às variantes de “grande centro” que dirigem os destinos da Europa, como diz Manuel Alegre, “não se pode fazer sem eleitores e sem simpatizantes do PS”.
Há boas e más experiências a este propósito. Na Alemanha, a inflexão à esquerda do eleitorado é uma realidade. A sua máxima poderia ser “devagar que temos pressa”. Na Holanda, o Partido Socialista, que é de esquerda, andou anos a penar até saltar para mais de 15 por cento. Não foi esse facto que o levou ao governo e não consta que esteja a perder por não ter tido pressa. Na Itália, pelo contrário, toda a esquerda foi, mas não conseguiu mais do que “temperar” o liberalismo. Acabaram todos mal. Em Veneza, Lafontaine deu uma explicação para tal facto: ninguém abandona um partido para se ir casar com ele na curva seguinte e foi isso que fez a esquerda socialista italiana. “Os eleitores não compreendem essas coisas”.
Há muito que os analistas e comentadores procuram medir os comportamentos da esquerda pelos padrões da “política normal”. É um erro, porque a política normal é a que trata da “gestão e equilíbrio do sistema”. A política à esquerda quer transformar a própria política - essa é a sua dificuldade, mas também o motivo porque não pode ser interpretada apenas com as categorias que explicam os arranjos de ordem táctica. Os padrões da “política normal” também não se aplicam mecanicamente quando a situação é anormal - e a crise introduz a excepcionalidade na política. Não é por acaso que o país está a virar à esquerda, que a esquerda está na ordem do dia e que dela não vai sair proximamente. O jornalismo previdente está, portanto, “condenado” a fazer entrar a história nas suas análises de conjuntura. Teremos, todos, a aprender com isso e até há quem já o faça bem.
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