Miguel Portas para o Sol
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Flexiquê?
Miguel Portas,07.07.07
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Menos
Europa
Miguel Portas, 30.06.07
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| Em
2000, as lideranças europeias falavam de ‘empregabilidade’.
Sete anos mais tarde, já preferem outro palavrão:
‘flexissegurança’. O termo foi importado
dos países nórdicos, onde tem mais de um século.
Não constitui, portanto, novidade.
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Eles assinaram. Pelas quatro e trinta da madrugada assina-se
o que for preciso. Não dava mais para manter a compostura
da gravata nem a suavidade na palavra. Lá fora, os
jornalistas esticavam as pernas acima da cabeça à
espera do fumo. Qual? O que fosse, desde que branco. E ele
saiu. Bom? Muito menos do que isso. Apenas a medida exacta
do que vale hoje a Europa dos governos. |
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Uniões
sagradas
Miguel Portas, 23.06.07
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Educadora
de infância
Miguel Portas, 16.06.07
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Pergunta-me outro dia um jornalista se estaria
de acordo com uma trégua política durante a
presidência portuguesa da União Europeia, em
nome do “superior interesse nacional”. Lá
o desiludi. Não descortino o que isso signifique. Quer
na nação, quer na Europa, sempre vi os que ganham
e os que perdem e, entre uns e outros, tenho dificuldade em
descortinar o que os possa unir. Dir-me-ão: talvez
o futebol. Mas até aí há quem goste e
quem odeie. E até quem, gostando – é o
meu caso – detesta que em nome da bola se gaste o que
se gasta, e se arrepie com o modo como esse mundo é
dirigido.
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A
entrevista que a directora da DREN, Margarida Moreira,
deu esta semana ao DN é um monumento de fidelidade à
asneira. Orgulha-se a senhora de, no ano passado, ter aberto
778 processos, sendo o do professor Charrua, “um deles”.
Extraordinário! Margarida Moreira abre mais de 3 processos
por dia e nem descansa ao domingo. Pelo Norte, as coisas estão
tão tortas, que não se vê outra solução,
senão a de trocar de povo rapidamente. Verdade! Ler... |
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Por
tudo e por nada 02.06.07
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Rota
de colisão 26.05.07
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Ao
fim do dia, o Governo cantava vitória e Carvalho da Silva
fazia o que podia para diminuir os danos. Pela voz de um mero
secretário de Estado, o Governo anunciava que «os
trabalhadores portugueses rejeitaram maciçamente a greve».
Num passe de mágica, o poder confundia a fraca adesão
como uma prova de apoio à sua política.
Ler ... |
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José
Sócrates tinha uma secreta esperança no sucesso
da sua presidência europeia. Sucede que ninguém
lhe quer facilitar a vida. Ultimamente, as más notícias
não lhe chegam apenas de Portugal.
Ler ... |
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Urgências
Miguel Portas, 12.05.07
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Finalmente
Miguel Portas, 05.05.07
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[...]
Admito que vários SAP ainda em funcionamento
possam não se justificar… desde que a rede de médicos
de família do respectivo Centro de Saúde cubra
efectivamente toda a população a ele adstrita.
Ler ... |
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O
que tem de ser tem muita força, e até Marques
Mendes, a contragosto, acabou por o reconhecer. Lisboa vai a
votos e apetece dizer, finalmente.
Ler ... |
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Europa,
Europa
29.04.2007 |
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Sucesso
e canudo
22.04.2007 |
Bom
dia, apresento-me, sou a Europa, um espaço de inteligência,
tolerância e convivência. Sou grande, vou da ponta
de Sagres ao Báltico. A Riga, e mesmo mais acima. Não
sabem onde fica? Riga é a capital da Letónia,
um antigo Estado da URSS, onde se fala o letão, e o
inglês é uma língua quase desconhecida.
Sou assim, grande e generosa. Ler...
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Pedro
Abrunhosa seria pica-bilhetes se não tivesse estudado
e Carlos Queirós um pobre apanha-bolas? Colocada a pergunta
logo se intui a resposta. Claro que não. Ambos devem
o seu sucesso a uma virtuosa combinação de factores
onde, bem mais do que os estudos, avultam doses muito razoáveis
de talento e trabalho. Ou seja, do saber da experiência.
Ler ... |
Golpe
constitucional
Miguel Portas, 17.04.2007 |
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Marcha
forçada
Miguel Portas, 06.04.2007 |
Nesta
coluna escrevi que um novo Tratado para a Europa, que salve
o que franceses e holandeses chumbaram, dependeria dos povos
serem retirados da equação. As notícias
vindas a lume confirmam o golpe em preparação.
Exactamente, um golpe: porque esse texto será um remake
do antigo, já rejeitado por dois povos, o que pela regra
dos próprios Tratados, implica a sua morte; e porque
se quer ressuscitar na secretaria o que se receia perder no
voto popular.
Ler ... |
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[...]
deve o novo texto ser “institucional” ou “constitucional”?
Metade dos governos prefere a variante, minimal, que deixa cair
a terceira parte da actual proposta de Tratado para salvar a
primeira e, talvez, a segunda. Todavia, quem já ratificou,
prefere manter o que está, com uns anexos que “amoleçam”
as rejeições francesa e holandesa. Ler
... |
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Poder
e dúvida
31.03.2007 |
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Sapateado
17.03.2007 |
Escrevo
sobre a peça que esta semana estreou no Teatro Maria
Matos. O texto é tramado e magnífica a sua adaptação
à cena. Com ele, o autor, J. Patrick Shanley, quer convencer-nos
de “que a dúvida requer mais coragem do que a convicção”.
Tem razão. Mas deve acrescentar-se que a dúvida
só emerge onde mora a convicção. Sem esta,
aquela carece de sentido. Ler... |
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Qualquer
pessoa sabe que a economia é destruição
e criação. Mas temos, também, a obrigação
de discernir entre justo e injusto, e disso se não ocupa
o mercado. Eis o que implica a política. Só esta
pode corrigir a cegueira do laissez-faire. Ler... |
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Irão
10.03.2007 |
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Cavalos
de corrida
03.03.2007 |
Ahmenadjad
não é flor que se cheire. Dito isto, não
se pode reduzir o pluralismo da sociedade iraniana e mesmo da
comunidade xiita, ao presidente do Irão. A não
ser que se queira mesmo realizar uma profecia anunciada - a
da inevitabilidade de mais uma escalada na guerra. Ler... |
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Numa
contenda entre incomparáveis só podia funcionar
a memória curta. O ridículo mata. Na disputa particular
entre Salazar e Álvaro Cunhal, recebi esseémeésses
pedindo o voto neste contra aquele, como se de uma reedição
audiovisual dos combates antifascistas se tratasse. Tudo em
benefício de uma qualquer empresa de serviços
de valor acrescentado. A 70 paus por voto, o único real
vencedor enche a sua conta bancária com a miséria
alheia. Ler... |
ARQUIVOS MUNDO
Erradicar
a sida, cumprir a promessa
por Carmen Hilário
1 de Dezembro de 2006, Dia Mundial de Luta contra a Sida
Médio Oriente
-
Ataques
de realismo
Miguel Portas, 16.09.2006
De repente, como se antes nada se tivesse dito ou acontecido,
a Europa deu em realista por terras do Médio Oriente.
Javier Solana passou sete horas, sete, a falar com o seu homólogo
iraniano, o senhor Ali Larijani. Garantiu-lhe que não
haveria sanções "enquanto durarem as conversações".
Presume-se, assim, que o alto responsável pela diplomacia
europeia vai mudar de ares, pelo menos durante uns meses. Ler...
PALESTINA
-
Armas proibidas
A Rai italiana, a convite de um grupo de eurodeputados, foi
mostrar a Estrasburgo: uma reportagem sobre o uso de novas
armas por Israel, que queimam até ossos e obrigam a
amputação imediata. «Se as pessoas forem
atingidas do abdómen para cima, não podemos
fazer nada por elas», garantem os médicos do
Hospital de Gaza.
Miguel Portas para o Sol, 18.11.2006
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Casa
onde não há pão...
Miguel Portas,
9.10.06
Nos últimos dias, os media
noticiaram combates em Gaza e na Cisjordânia entre militantes
armados da Fatah - ligada ao Presidente – e do Hamas
– que detém o governo. Do actual impasse ou começa
uma guerra civil, ou se constitui um governo de unidade nacional,
ou se realizam eleições antecipadas. Como pano
de fundo, greves em carrossel atingem a Palestina desde meados
de Agosto. Pura e simplesmente, as pessoas têm fome
e não há salários que cheguem. Exigem
do governo o que sabem que ele não tem – dinheiro.
Ler...
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Da
embaixada do absurdo às gaffes de G.W. Bush
Admitamos por 1 minuto que a história desta guerra
começou com o rapto de um soldado que integrava as
forças de defesa israelita ao perímetro de Gaza.
Ou seja, que foram “eles”, os palestinianos, “que
começaram”. [...]
A desproporção da resposta, mais do que óbvia,
indigna o mais endurecido dos corações. Mas
para a embaixada de Israel justifica-se: “Lembramos
mais uma vez que foi o próprio povo palestiniano que
elegeu um governo dirigido pelo Hamas, uma organização
terrorista”...
Miguel Portas, 19.07.2006
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Israel: Mais
complacência, não!
Os media difundiram a imagem pelo mundo: prisioneiros políticos
palestinianos de roupas na mão, escoltados por soldados
do Tsahal, o exército israelita, após o assalto
que realizaram à prisão de Jericó, até
então sob monitorização norte-americana
e britânica. A humilhação é indissociável
da agressão. Do mesmo modo, esta é inseparável
da inusitada retirada dos observadores internacionais. E esta
ocorreu, não por razões de segurança,
mas porque na campanha eleitoral em Israel, o Kadima está
a perder nas intenções de voto. Os factos falam
por si: trinta minutos depois do abandono, entrou o exército.
Em território sob administração palestiniana,
unilateralmente; e numa prisão sob acordo internacional,
unilateralmente.
Miguel Portas,
15.03.06
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A cidade do menino
Conto-vos de Belém. Estive lá no mês passado.
Cheguei ao lugar pela única estrada por onde se entra,
vindo de Jerusalém. Quinhentos metros antes, um check
point israelita verifica salvo-condutos, definindo quem pode
e não pode passar. Eu passei. Integrava uma delegação
do Parlamento Europeu e usufruía, por isso, de prerrogativas
negadas aos autóctones. Estranho? Por aquelas bandas
é assim. Era assim, também, no tempo do menino.
Miguel Portas, DN
Opinião, 24.12.2005
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Pelo buraco da agulha,
Não se percebe o drama que cresce em Gaza sem
conhecer aquela língua de terra onde vivem mais de
um milhão e trezentos mil palestinianos. Sobrelotada,
sem qualquer viabilidade económica enquanto não
se puder abrir ao exterior, mal administrada, e presa dos
mais variados bandos armados, é uma imensa prisão
de deserdados. O desemprego atinge metade da população
activa.. Miguel Portas, DN Opinião,
27.08.05
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Por
terra ocupada
(ver GLOBAL)
No
dia em que Arafat fazia a sua última viagem, da Muqata
para o hospital em Paris, uma delegação de 14
eurodeputados chegava à Terra Santa para uma visita
não oficial à Palestina e a Israel
Reportagem no GLOBAL Novembro 04
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Arafat
No momento em que escrevo, a vida de Arafat pode estar ligada
à máquina ou ter-se, definitivamente, finado.
Seja como for, o seu afastamento da liderança encerra
um ciclo na História da Palestina. O tempo que agora
se abre é dos mais difíceis: porá à
prova a consistência e maturidade da resistência
à ocupação. Quase tudo, naquela terra
sofrida, conjuga a tragédia.
DN Opinião, Sintomas,11.11.04
IRAQUE
-
Degola
« Nós teríamos feito as coisas de maneira
diferente», comentou o general William Caldwell, das
forças norte-americanas no Iraque, sobre o linchamento
de Saddam Hussein. Acredita quem quiser. Ainda ouviremos outro
cinco estrelas a dizer que, se fosse ele a mandar no tempo
certo, as coisas teriam sido diferentes no Iraque. E, nesse
momento, também acreditará quem quiser.
Miguel Portas para o Sol, 06.01.2007
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A justiça
como encenação
[...] Saddam merece ser julgado por crimes contra a humanidade.
A questão é "como". No Iraque, que
confirmou a pena de morte? Num tribunal nacional, preparado
e instruído por norte-americanos? Com juízes
de direito comercial e acusadores com experiência em
pequenos crimes domésticos? Com uma defesa sem tempo
e sem acesso ao cliente? Enfim, a lista de incongruências
deste tribunal é interminável.
Miguel Portas, Global, 20.10.2005
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Terra queimada
Foram terroristas? Um falso alarme? O pânico de multidões
em fuga? Ou a inépcia dos vários serviços
de segurança? Provavelmente foi um pouco de tudo isto
e ainda outro tanto do que ainda não se sabe. Mas a
tragédia da ponte do imã Ali, em Bagdad, e as
suas mil vítimas têm a carga de uma metáfora.
Nada corre bem no mais castigado dos países. Nada.
Nem mesmo uma manifestação de fé. No
mesmíssimo dia em que o Tigre se tingia de sangue,
três condenados por assassínio, rapto e violação
foram executados em Bagdad. Miguel
Portas, DN Opinião, 03.09.05
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Miopia
Conheci Giuliana Sgrena nos idos de 90, no
seu jornal de sempre, o il Manifesto. É difícil
imaginar jornalista mais discreta e dedicada às histórias
das pessoas a que dava alma e rosto por esse mundo. A última
vez que a vi em Roma, estava de regresso do Afeganistão.
Ela andava sempre pelos lugares proibidos ou esquecidos do
Mundo. Tinha que ir para o Iraque. E em Bagdade nunca se ficaria
pela segurança relativa de um hotel.
Miguel Portas, Editorial do jornal GLOBAL, Março 2005
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Fallujah
Fallujah não é apenas mais uma tragédia
humana a acrescentar a outras - mais mil e quinhentos mortos;
mais uns milhares de feridos; ou ainda mais umas dezenas de
milhares de novos desalojados. Fallujah é tudo isso
e muito mais. É o cemitério onde se enterram
as ténues esperanças que ainda pudessem existir
de uma solução política para o conflito
iraquiano.
DN Opinião, Sintomas, 18.11.04
LÍBANO
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O
Líbano aqui tão perto
15.12.2006
No Líbano não está em curso "um
golpe de Estado". Não se fazem "golpes de
Estado" com um milhão de pessoas na rua. Quando
muito, fazem-se revoluções. Mas no caso, nem
isso. Os chamados "pró-sírios" exigem,
simplesmente, uma minoria qualificada no governo - o bastante
para poderem "bloquear" decisões, ou seja,
forçarem compromissos. Ler...
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Líbano
refém da guerra, Europa refém dos EUA
Ao fim de três semanas de guerra passamos em revista
a tragédia: um país refém de uma agressão
criminosa que está para durar; uma segunda nação,
a palestiniana, que continua a ser atacada, mas onde a cobertura
passou para as notas de rodapé; uma Europa que, procurando
distanciar-se dos EUA, uma vez mais é raptada pelos
seus governos mais atlantistas; e uma tragédia humanitária
sem precedentes na região. Tudo em nome de "um
novo Médio Oriente" - o que se descobre no atoleiro
iraquiano.
Miguel Portas, Agosto 2006
-
De
pequenos nadas...
Regresso pela estrada de montanha por onde entrei, vindo de
Damasco. A fronteira ainda está aberta. Por poucos
dias, aliás. O cenário já é distinto
do da chegada, três dias antes. Descendo para o vale
de Beckaa, novos camiões de alimentos jazem, calcinados,
nas bermas. A caixa aberta de um deles tem ainda os legumes
à vista. Um pouco mais abaixo, uma jornalista da Al
Jazzira faz o seu directo com uma vila por cenário.
Também aí caíram os castigos do céu.
Israel atacara pela manhã as encostas do vale. Voltaria
a fazê-lo nos dias seguintes.
Miguel Portas, Julho 2006
-
Líbano:
quando os cedros tomam a palavra
O homem mais rico do país foi assassinado. Um movimento
pacífico derruba nas ruas o governo pró-sírio.
A comunidade xiita reage e demonstra a sua força. Entretanto,
a França espreita a sua oportunidade, os EUA querem
humilhar e vergar Damasco, e a Europa, mais uma vez, não
existe. Miguel Portas, GLOBAL, Março
05
-
Menos
que revolução e mais que viragem
No país dos cedros ocorre menos que uma revolução
e mais que uma viragem. Três notas de interpretação.
Miguel
Portas, DN Opinião,
05.03.05
O IMPÉRIO
-
Refresh
Há uma semana, G.W. Bush repetia e repetia que Donald
Rumsfeld, o arquitecto da guerra do Iraque, estava a fazer “um
trabalho magnífico”. No dia em que se conheceram
os resultados das eleições intercalares norte-americanas,
ele foi a primeira vítima. O homem da sala oval sacrificou-o
em nome, explicou, de “uma perspectiva fresca”.
Miguel Portas para o Sol, 11.11.2006
-
Ensandeceu
Na mais protegida das zonas de Bagdade, o embaixador norte-americano
no Iraque e ocomandante das forças de ocupação,
foram interrompidos durante cinco minutos por um corte na energia
eléctrica. Na conferência de imprensa, ficaram
como têm estado: às escuras. Por isso, falaram
de um horizonte de mais 18 meses de guerra. Colocaram, no entanto,
uma data. Não propriamente a primeira.
Miguel Portas para o o Sol, 28.10.2006
-
Tortura? Eles são lá
capazes!
No início da semana, dizia Condolezza Rice: "Os
Estados Unidos não utilizam o espaço aéreo
ou os aeroportos de nenhum dos países parceiros para
transportar pessoas com o propósito de tortura".
A mesma lenga lenga prosseguia, mas agora com a intenção
de garantir que os EUA não tinham prisões no estrangeiro
"com o propósito de tortura".
Miguel Portas, DN
Opinião, 10.12.2005
-
A face da “divina
inspiração”
Já se sabe o que decidiu a guerra no Iraque. Não
foram as armas que não existiam nem os químicos
que nunca se encontraram. Também não foram os
tormentos de um povo às mãos de um ditador. Nem
mesmo os interesses petrolíferos das companhias norte-americanas
ou as expectativas de negócio com armamento, segurança
e reconstrução das firmas patrocinadas pela Casa
Branca. Confidentes de G.W.Bush revelaram que a decisão
do imperador, afinal, foi tomada por “inspiração
divina”. Miguel
Portas, DN Opinião, 14.10.05
-
p o L É
M i c
A: As
bombas de Hiroxima e Nagasáqui, Agosto
2005
- A
luta continua
Teremos Bush por mais uns anos. Era o resultado mais provável,
bem sei. Mas as últimas semanas de campanha deixavam uma
ponta de esperança. Teria sido extraordinariamente importante
demonstrar que o imperador podia ser derrotado no seu próprio
país.
DN Opinião, Sintomas, 04.11.04
TERRORISMO NO MUNDO
-
Armadilha letal
Londres é a mais importante Babel da Europa. Foi Babel
a atingida pelos quatro atentados terroristas de anteontem.
Os visados foram as pessoas comuns que usam os transportes colectivos
para se deslocarem. Cristãs, muçulmanas ou ateias;
a favor ou contra a intervenção norte-americana
e inglesa no Iraque ou no Afeganistão; de nacionalidade
britânica ou de qualquer outra das mil que habitam a cidade.
Miguel Portas, DN Opinião,
24.06.05
- Beslam
During the plenary session of the European Parliament this week,
the right wing and the socialists (i.e. the social-democratic
PES, ed.) blocked the approval of a resolution on the tragedy
of Beslam. Commissioner Chris Patten synthesized, in one phrase,
the position of the "central block": "this is not
the time to give a lesson to Russia ". Not today, not yesterday,
not tomorrow...
Spectrezine, 16.09.04
POBREZA E CATÁSTROFES NATURAIS
-
A pobreza só
atrapalha
18 países, com 460 milhões de habitantes, pioraram
o nível de vida desde 1990. Retrocederam. Esta uma das
constatações a que chega o último relatório
das Nações Unidas sobre o estado das nações.
Ela diz-nos que o progresso não é avenida que
todos frequentem. Miguel Portas, DN
Opinião, 10.09.05
- A
prioridade
Infelizmente, à catástrofe do tsunami
asiático outras se seguirão. Porque a natureza tem
vontade própria. E porque o capitalismo introduz uma lógica
predatória da natureza, que agrava as consequências
destrutivas das catástrofes.
DN Opinião, Sintomas, 13.01.05
IMIGRAÇÃO, INTEGRAÇÃO, DISCRIMINAÇÃO
-
Para cá e
para lá da concertina,
Miguel Portas, Global, Outubro 2005
-
O outsourcing
A “interessante” abordagem de Bruxelas já
existe: evitar que haja quem se deite ao mar. Evitar que sejamos
nós a detê-los, que não é bonito.
E garantir que seja o Sul a policiar as nossas fronteiras nos
países deles. Marrocos recebeu 40 milhões de euros
para reequipar a sua polícia com radares, sistemas de
comunicações e material circulante. A Argélia
10 milhões. E a Líbia entrou no clube dos países
“amigos” a troco de iguarias similares. Chama-se
a isto outsorcing. Miguel Portas,
03.12.05,
-
Revolta e insucesso
em Paris
A fúria que se manifestou em França - e não em Londres, Madrid
ou Lisboa - levanta problemas bem mais vastos do que a tentação
autoritária de um poder que se quer exibir. De facto, as condições
materiais de vida nos bairros sociais de Paris estão presentes
em todos os subúrbios das grandes cidades do chamado 1.º mundo.
Miguel Portas, 19.11.05, 27.11.05
-
O outro lado da guerra
Estes putos não vão ao cinema. Mas vêem a guerra em Bagdad e
ouvem discursos sobre a democracia. Sabem, de experiência própria,
que ser muçulmano na Europa é complicado. E cheiram o medo que
inspiram. Esta violência urbana é o lado civil do clima de guerra
em que o Mundo vive. Por paradoxal que pareça, é uma tentativa
desesperada de comunicação. Do gueto para o Mundo.
Miguel Portas, 05.11.05
- Operação
'Pânico e terror'
Não houve centenas nem dezenas de assaltos. Não
houve, sequer, três queixas por furto. Houve uma. Se é
que há. Contudo, houve dois crimes a mentira e a sua amplificação
mediática. Ambas fizeram de um incidente um acidente social.
Azar dos putos serem pretos. E se além de pretos fossem
muçulmanos, a coisa ainda acabava em conversa sobre terroristas.
Assim foi só contra "os marginais"...
Miguel Portas, DN Opinião,
16.07.05
VÁRIOS
-
Mister danger
"Que saudades tenho da guerra-fria", suspira M, a
briosa chefe dos serviços secretos britânicos ante
o fantástico poder destruidor do novo 007. Compreende-se.
A senhora dos cabelos brancos é de um tempo onde os espiões
presumidamente matavam com elegância e cada serviço
apreciava e invejava os lances do outro.
Miguel Portas para o Sol, 09.12.2006
-
O jantar envenenado
Os jornais da manhã eram contraditórios. Cada
notícia era, em si mesma, uma confusão pegada.
Em causa estava, na quarta-feira passada, o jantar do 74°
aniversário de Jacques Chirac. Nos anais da diplomacia,
raramente se viu repasto tão polémico.
Miguel Portas para o Sol, 02.12.2006
-
Sindicatos do mundo,
uni-vos!
Nasceu esta semana a Confederação Sindical Mundial,
unindo duas das três centrais mundiais existentes e ainda
nove organizações nacionais não filiadas,
com destaque para a CGT francesa. De fora ficou o que sobra
da antiga Federação Sindical Mundial – que
reúne sindicatos ligados a regimes de Partido-Estado
e ainda sindicalismo de inspiração comunista em
vários países do terceiro mundo; e a central sindical
chinesa que, só por si, tem tantos ou mais filiados do
que a fusão agora anunciada.
Miguel Portas para o Sol, 04.11.2006
-
Deus fez-nos feios
Ratzinger estabeleceu a ortodoxia da fé; Bento XVI moderou
a sua razão. Dois meses antes da visita à Turquia,
o cardeal disse-lhes que a Europa é cristã e que
Ancara deve ficar à porta; largado o recado, o Papa explicou
que o diálogo ecuménico se deve fazer com cada
um em seu sítio.
Miguel Portas para o Sol, 23.09.2006
-
O
elogio do sacrifício
No momento em que escrevo, o estado de
saúde de João Paulo II é muito precário.
O eclesiástico das más notícias já
se encontra em Roma e, a 31 de Março, foram dados os
últimos sacramentos. [...] Estas linhas serão
sempre interpretadas como as de um texto fúnebre avant
la lettre. Corro, no entanto, o risco. Porque é ainda
em vida que posso escrever com franqueza sobre a ambivalência
que a figura deste Papa me suscita.
Miguel
Portas, DN Opinião, 02.04.05
-
'Marcas de Sangue',
'Colisão': vidas danadas
À medida que a peça se esvai naquele lugar onde o fim do mundo
se encontra com uma praia no horizonte, o espectador é impelido
a mergulhar dentro de si. Sabe que aquilo está a acontecer em
qualquer outro lugar naquele preciso momento. Daquela maneira
bêbada. Ou de mil modos aproximados. Sem adjectivos e sem a
gordura das palavras inúteis, como no texto de Judy Upton. Aquilo
aconteceu com a sua melhor amiga, com a colega de trabalho,
com a vizinha e até à sua pior inimiga. Pior, passou-se consigo.
Ou passa-se. Passa-se, porra! Miguel
Portas, DN Opinião, 17.09.05
EUROPA
- Carros e chaminés
Durão Barroso apresentou esta semana a sua política
para a energia. A presidência alemã e portuguesa
agarrarão com as duas mãos a oportunidade. Aquele
é o único domínio onde a União, paralisada,
pode avançar novas políticas comuns.
Miguel Portas para o Sol, 13.01.07
PORTUGAL E A EUROPA
-
'Caso
empolado'
Miguel Portas, 30.09.06
Em Novembro do ano passado, cinco maduros
dirigiram-se a Den Helder, uma pequena vila atlântica
do Norte da Holanda. Queriam verificar denúncias sobre
exploração e maus-tratos aplicados a trabalhadores
portugueses ao serviço de uma agência de trabalho
temporário, a The Five. Ler...
-
Vinte anos depois
Completam-se amanhã 20 anos sobre a adesão de
Portugal à CEE. Pouco importa agora que, nos idos de
70, esta escolha tenha sido feita, entre outras razões,
para enterrar definitivamente as veleidades revolucionárias
de um país alterado. A verdade é que as elites
nacionais, por uma vez, acertaram. Finalmente sem Império,
era e é na Europa que o país se deve reencontrar.
DN Opinião, 31.12.05
-
O
fio invisível entre cá e lá
Nas urnas foi a enterrar o Tratado Constitucional.
Com pompa e circunstância se o Conselho Europeu dos próximos
dias 16 e 17 decidir que as opiniões públicas,
desta, são para ouvir. Enterrando também as lideranças
europeias, se o autismo conduzir ao prosseguimento do processo
das ratificações.
O bom senso recomendaria caldos de galinha. Mas com Bruxelas
nunca se sabe.
Miguel Portas, DN Opinião, 04.06.05
-
Nós
e a Europa (2)
Na coluna da semana passada assinalei os três domínios
onde a política europeia limita drasticamente um novo
ciclo de políticas nacionais de mudança a magreza
das Perspectivas Financeiras da União para 2007/13; as
propostas de directivas sobre o horário de trabalho e
a liberalização dos serviços públicos;
e o Tratado Constitucional. Poderia ter acrescentado uma quarta:
a primazia da luta antiterrorista sobre o combate à fome
e à doença.
DN Opinião, Sintomas, 30.12.04
-
Nós
e a Europa (1)
Eis como coloco a equação: Portugal, país
pobre e periférico no contexto europeu, precisa da União
para a sua modernização. Mas a estratégia
que esta prossegue, e a sua submissão à ortodoxia
financeira, limita esse objectivo na multiplicidade das dimensões
que exige.
DN Opinião, Sintomas, 23.12.04
-
Aldrabice
É o mínimo que se pode dizer da pergunta sobre
a chamada Constituição Europeia. Não é
preciso ser bruxo ou particularmente elaborado para saber que
só existe uma pergunta razoável: «Deve Portugal
ratificar o projecto de tratado que institui uma Constituição
para a Europa?» Fácil, não é? Pois
parece que não.
DN Opinião, Sintomas, 25.11.04
- Should
Portuguese MEPs vote yes to Barroso?
Concerning the honour felt by Portugal in response to the invitation
made to Durão Barroso, let me share with you a petite
histoire that took place during the `80s.
Spectrezine, traduzido do DN Opinião
de 01.07.2004
A EUROPA EM CRISE
-
E no entanto...
ela move-se
Onde se procede à análise das mais recentes notícias
da Europa, entre Roma, Paris e Bruxelas. Antecipando tendências
para os próximos meses. Por
Miguel Portas, Abril 2006
-
Nova direita e nova
esquerda
Hoje mesmo, Tony Blair ensaiará a mensagem mil vezes
repetida: ou a Europa se adapta à globalização,
ou desaparece. Ou é “competitiva”, ou está
feita. Este é o ultimatum que quer acelerar as derradeiras
privatizações, concluir a desregulamentação
dos mercados de Trabalho, e diminuir drasticamente os serviços
do Estado social. Miguel Portas 29.10.05
-
A presidência
americana da Europa
Rei morto, rei posto. Quarta-feira, o Parlamento
Europeu levantou-se para aclamar Jean Claude Juncker. O presidente
em exercício da União Europeia tinha acabado de
colocar Tony Blair no banco dos réus, revelando, para
lá de toda a diplomacia, os meandros da negociação
falhada sobre as Perspectivas Financeiras da União para
2007/2013. 24 horas mais tarde, o mesmíssimo Parlamento
aplaudiria longamente Tony Blair. Depois de este ter insistido
em todas as suas anteriores posições... Em Bruxelas,
abriu a época de saldos para as espinhas dorsais.
Miguel Portas, DN Opinião,
24.06.05
-
Crise, evidência
e esgotamento
Há um ano, as eleições europeias
ganhavam o prémio da abstenção e o Parlamento
Europeu, devido aos deputados dos novos países, acentuava
a sua deriva para a direita. Um mês depois, a escolha
de Durão Barroso anunciava uma Comissão Europeia
de baixo perfil. Fosse porque não existisse outro, fosse
porque os principais governos desejavam uma Comissão
fraca, a eurocracia de Bruxelas, outrora todo-poderosa, perdia
outra vez a partida. Em tempos de crise, mandam os principais
governos e ponto final.
Miguel Portas, DN Opinião,
04.06.05
-
A
Europa depois da França
Escrevo de Bordéus, à saída
do meeting final do Não de esquerda. Quatro mil pessoas
escutaram as intervenções de 15 oradores, sem
arredar pé, absorvendo os argumentos que as podem levar,
ainda, aos últimos indecisos. Elas sentem que podem ganhar.
E que ganharão se os que deixaram de votar por razões
de exclusão social se levantarem domingo para dizerem
que existem, que aí estão e que, desta, o seu
peso se fará sentir. É nos pobres e nos desempregados
que tudo agora se joga. E por isso escrevo na presunção
de que a vitória do Não é o mais provável
dos cenários.
Miguel Portas, DN Opinião, 29.05.05
-
O dia seguinte
Admitamos então que o Não vence em França
no próximo domingo e que uns dias depois o mesmo sucede
na Holanda. É o caos? A Europa implode? Não, claro
que não. A construção europeia foi demasiado
longe para poder ser posta em causa pelo chumbo de um Tratado
voluntarista. A 30 de Maio vira-se, isso sim, uma página:
a de uma Europa construída por cima das opiniões
públicas europeias. Nessa segunda feira, as lideranças
terão de encarar de frente este divórcio. Não
podem mais fingir que ele não existe.
Miguel Portas,
Jornal de Negócios, 25.05.05
-
O Não
que vem das profundezas
Baudrillard, Negri, Pacheco Pereira...
Miguel Portas, DN Opinião, 21.05.05
-
Imagine,
por um momento, a vitória do 'não'
À esquerda, caíram durante estes meses todos os argumentos para
ratificar o Tratado Constitucional, com excepção de um: chumbá-lo
é pior que tê-lo.
Miguel Portas, DN Opinião,
23.04.05
-
A
Europa e o dilema francês
O salão, com as suas colunas, veludos e doirados foi
preparado para receber 80 jovens cuidadosamente seleccionados.
Eles representariam, num directo televisivo, o "povo"
no Palácio da República. O "povo do futuro",
o que mais teria a ganhar com a Constituição para
a Europa. Durante duas horas, esse povo interrogou o Presidente.
E suspeito que este não convenceu.
Miguel Portas, DN Opinião,
16.04.05
-
Breviário
de um nome de difícil pronúncia
Bolkestein: 70 mil manifestantes disseram, em Bruxelas,
“Não” à liberalização
do mercado de serviços com base no princípio do
“país de origem”. Dias depois, as sondagens
francesas davam, pela primeira vez, vantagem ao “Não”
no referendo sobre a Constituição. Na origem dessa
mudança encontra-se o medo da famosa directiva.
Miguel Portas, DN Opinião,
26.03.05
-
A
Comissão, a directiva e o Tratado
Durão Barroso assumiu o papel de defensor oficial de
uma proposta de directiva que nem sequer é de sua paternidade;
e por causa dela arrisca-se a ver chumbado o Tratado Constitucional
europeu em França, o que, aliás, o chumbaria
tout court, porque carece da unanimidade dos 25 Estados
membros para entrar em execução.
Miguel Portas,
DN Opinião, 19.03.05
-
Um
ano decisivo
Raras vezes na história da União, 12 meses
serão tão importantes como os que aí vêem.
Em causa estão dois documentos de estratégia –
a ratificação do Tratado Constitucional e a revisão
da Estratégia de Lisboa – e quatro instrumentos
de política interna – a revisão do Pacto
de Estabilidade, a negociação das Perspectivas
Financeiras para 2007/2013, e as Directivas sobre serviços
e horário de trabalho. O que está em jogo?
Editorial do
GLOBAL,
Fevereiro 2005
-
Memória
de uma Europa ausente
Se a ortodoxia dominante vencer em todos os tabuleiros, o projecto
europeu afastar-se-á, por muito tempo, de gente de mais;
e as expectativas de as periferias da União convergirem
com o centro esfumar-se-ão.
DN Opinião, Sintomas, 29.1.2005
-
Barroso
tropeça
A Comissão Europeia (CE) só foi eleita à
segunda. Depois da confirmação de Durão
Barroso, este procurou construir uma imagem de “homem
da Europa”, hábil e menos “açoreano”.
Em Outubro apresentou a sua equipa de comissários a audições
parlamentares. Contudo, uma mão cheia suscita reservas.
Principalmente, Buttiglione.
Editorial do GLOBAL, Dezembro 04
-
Dois
para a dança
Durante 14 páginas, 14, José
Manuel Barroso respondeu ao Expresso. E durante 14 páginas,
14, conseguiu nada dizer. Mais do que entrar nos anais do mau
jornalismo, a entrevista revela o vazio do protagonista que
em Julho deixou no País um lindo serviço.
DN Opinião, Sintomas, 09.12.04
- Cai
a máscara
Quando ontem, em Estrasburgo, Durão Barroso
anunciou que retirava a sua proposta de Comissão Europeia,
o lado esquerdo do plenário aplaudiu, ante o silêncio
constrangido e envergonhado da direita parlamentar. Com o gesto,
o presidente-da-comissão-que-não-chegou-a-ser apenas
evitou o chumbo da sua equipa através do voto - algo impensável
há três meses.
DN Opinião, Sintomas, 28.10.04
A TURQUIA E A UNIÃO EUROPEIA
-
Deus
fez-nos feios
Miguel Portas, 23.09.06
Algures na Kalmukia, dirigida com mão
de ferro por um "Rockefeller das estepes", inicia-se
dentro de quinze dias a grande final do xadrez mundial. Habitada
por 350 mil humanos e três milhões e meio de ovelhas,
parece um lugar apropriado. O "fim do mundo" está
muito bem para uma arte que, nas últimas décadas,
foi palco de desafios que tinham a virtude de ocultarem outras
guerras frias e quentes. O mundo seria melhor se pudesse resolver
os seus diferendos na frente de um tabuleiro, em vez de os planear
na mesa dos mapas militares. Ler...
-
Ilha
no epicentro do vazio
Chipre esteve no centro do debate europeu sobre o início
formal das negociações com a Turquia, previstas
para 3 de Outubro. Esta ilha, que foi um protectorado inglês
antes da independência, tem o seu norte ocupado pela Turquia.
Por um capricho dos deuses, a UE permitiu a adesão de
Chipre sem que, previamente, se tivesse resolvido o conflito
aí existente. Miguel Portas,
DN Opinião, 01.10.05
-
Curdistão
turco: onde democracia rima com Europa
Oito deputados da esquerda unitária europeia deslocaram-se
ao curdistão turco. Falaram com organizações
de direitos humanos, partidos, sindicatos e presidentes de câmara.
Reuniram também com o governador turco da região.
e estiveram com comunidades marcadas por 17 anos de um conflito
que os militares turcos se recusam a enterrar.
Reportagem no GLOBAL, Janeiro 2005
-
A
esquerda e a Turquia
Um Estado Curdo é, nos tempos que correm, prenda que
ninguém deseja... Mas também não é
compreensível sem essa outra grande mudança, a
que se prende com a transição da Turquia para
a democracia em nome de um horizonte europeu.
Editorial do GLOBAL, Janeiro 2005
-
O
Nim
A resolução aprovada no Parlamento exige da Turquia
o que não se exigiu a mais ninguém. Chega a impor
como condição a proibição legal
da violência doméstica, o que, sendo justíssimo,
em Portugal ocorreu 15 anos depois da adesão...
DN Opinião, Sintomas, 16.12.04
-
De
novo a Turquia
Só o tempo dirá se não
foi uma imprudência muito cara» - com esta presciência
trágica, o meu vizinho de coluna e Parlamento, Vasco
Graça Moura (VGM), resume a sua posição
sobre o previsível início das negociações
da União Europeia com a Turquia. O seu argumento constrói-se
em dois passos: no primeiro, ele sustenta que a Turquia constitui
uma «alteridade», um «outro» civilizacional
e geográfico. Não é Europa, ponto.
DN Opinião, Sintomas, 21.10.04
-
Turkey
and the European Union
Should the negotiations for Turkey's adhesion to the Union start
or not? This is the doubt that preoccupies the current European
debate.
Spectrezine, 7.10.04
PORTUGAL
-
Mensagens
Por motivo de quadra e de entrada, sucedem-se as mensagens.
Faz parte. Alguém, no princípio dos tempos, as
inventou, e já não há como as parar. O
que nelas se diga conta pouco, e este ano não escapou
à regra. Primeiro-ministro e Presidente da República
repartiram as datas como partilham as políticas: um no
Natal, outro para o Ano Novo. Fica muito bem.
Miguel Portas para o Sol, 30.12.2006
-
Ele e nós
Um artigo de cinco católicos, intitulado
A interrupção voluntária do diálogo*,
merece leitura atenta. O texto parte de um pressuposto mais
do que razoável, humano: «As situações
em que a alternativa do aborto se coloca são sempre dilemáticas,
com um confronto intensíssimo entre valores, direitos,
impossibilidades e constrangimentos vários, especialmente
para as mulheres». Sejam ou não crentes.
Miguel Portas para o Sol, 23.12.2006
-
Aquela noite de 1998
[...] está à vista o resultado de 98. Oito
anos depois, as mulheres continuam a abortar clandestinamente.
E a ser julgadas. E algumas - nem que fosse uma - a serem condenadas.
Oito anos depois, o que está em causa já não
são as opiniões sobre a origem da vida –
cada qual terá a sua - mas saber por mais quanto tempo
teremos mulheres julgadas por crime de homicídio suavemente
punível com três anos de cadeia. Condenadas por
terem tomado uma das mais difíceis decisões das
suas vidas.
Miguel Portas para o Sol, 21.10.06
-
Sempre os mesmos
O primeiro-ministro decidiu concentrar
um vastíssimo conjunto de medidas num curto espaço
de tempo. Conta com a neutralização do PSD por
via da co-habitação com Belém. E conta,
acima de tudo, com a esperança de cada medida contar
com apoios que compensem as críticas a outras. Até
agora, José Sócrates tem tido relativo sucesso
na operação. Mas o ambiente está a mudar
e rapidamente. Ainda bem.
Miguel Portas para o Sol, 14.10.06
-
Ódios de estimação
[...] não há uma só estrada, mas bifurcações. A irritação que
Francisco Louçã provoca entre os mais mediáticos da sua geração,
resulta não apenas de diferenças de opinião política ou modos
de ser, mas de uma disputa pela memória e sentido de uma geração
política. Miguel Portas, DN Opinião,
17.12.05
-
Os socialistas na encruzilhada
Lá fora, o socialismo mexe. Por cá, finge que mexe, porque o
ziguezague comanda e o rancor do ego é a sua gasolina. Sinceramente,
tenho alguma dificuldade em perceber porque há-de o povo de
esquerda ser chamado a dirimir quezílias menores entre velhos
amigos.Miguel Portas, 13.11.05
-
E
que tal um polícia na cama?
Ainda anteontem Jorge Coelho dedicava a sua coluna a uns quantos
lugares-comuns sobre o poder local. Como nos candidatamos à
mesma assembleia municipal, o melhor é trocar por miúdos.
A sua candidatura fez chegar às caixas de correio um
info-mail que pergunta na folha de rosto "Sabe quantos
polícias municipais temos em Sintra?" E respondia
em letras garrafais - "34" - para concluir triunfante:
"Nós propomos mais 136." Miguel
Portas, DN Opinião, 24.09.05
-
Sem estados de graça
Nos dias que correm, os ministros das finanças
evitam que os outros gastem. Se alguém vende amanhãs
que cantam, a convicção do contabilista esvai-se.
E a família fala mais alto. O governo transformou-se
num cemitério de vocações. Metade dos ministros
devem ser assaltados, logo de manhã, pela mais filosófica
das questões: “mas o que é que eu estou
a fazer aqui? Não me pagam para isto...” Campos
e Cunha foi o primeiro. Não será o último.
Miguel Portas, DN Opinião,
23.07.05
-
As cinzas dos heróis
Álvaro Cunhal foi o mais marcante intelectual
e político do nosso país no século passado,
mas nem por isso deixou de ser um prisioneiro dos maniqueísmos
do seu tempo. Morreu a resistir, quando resistir não
é tudo. Parafraseando Marx, diria que os resistentes
só sabem criticar o mundo, quando o que é preciso
é transformá-lo. Mas fica o exemplo de uma convicção
inquebrantável. Umas vezes fria, outras autêntico
acto de fé. No enterro, foi esta última, a dimensão
humana da religião laica que o comunismo também
é, que sobreveio.
Miguel Portas, DN Opinião,
18.06.05
-
Das causas.
Da crise. Da política
Uma boa crítica ou uma disputa agreste
sobre ideias representa sempre um estímulo. Mas o que
Raul Vaz fez não tem nada a ver com isso. O que ele fez
é feio que se farta. Parte do preconceito de que o Bloco
é justiceiro e isso é problema seu. Mas em seguida
atira-se ao dito por, durante 24 horas, ter ficado calado sobre
o processo que envolve ex e actuais dirigentes do CDS, o que
é mentira, uma vez que foi emitida uma tomada de posição.
E finalmente, conclui que o Bloco se normalizou - sem que se
perceba, então, porque continua tão vivo o seu
ódio...
Miguel Portas, DN Opinião, 14.05.05
-
O têxtil,
o proteccionismo e a alternativa
Portugal deve reclamar da Europa uma linha específica
de financiamento para as regiões em reconversão
industrial e, no Vale do Ave, apostar decididamente na qualificação
profissional aliada à construção de uma
agência de Investigação e Desenvolvimento
ao serviço de um segundo ciclo de renovação
das empresas que se comprometam a não realizar despedimentos.
A chave não é a tecnologia, mas o "imaterial"
e a agilização dos circuitos comerciais para lá
do mercado interno.
Miguel Portas,
07.05.05
-
O
tempo não volta para trás
LISBOA, VATICANO, PARIS TOULOUSE, LUXEMBURGO
Miguel Portas, DN Opinião, 30.04.05
-
Os
referendos e a política portuguesa
Portugal tem dois referendos para realizar. Um sobre a descriminalização
do aborto e outro sobre o Tratado Constitucional para a União
Europeia.
Miguel Portas,
09.04.05
-
Uma
semana depois, o dia seguinte
Há 15 dias, nesta mesma coluna escrevi "Em conjunto,
as direitas não passam dos 36 a 37%. Em separado, o PSD
dificilmente vale mais que 30 pontos. E só por milagre,
na noite das facas longas, Santana Lopes resistirá à
coligação de abutres liderada por Cavaco Silva.
Mas em política há surpresas, não milagres."
Assim foi.
Miguel Portas,
26.02.05
-
Venham
mais cinco!
Os resultados de domingo passado em Portugal são, a todos
os títulos, excepcionais: derrota esmagadora das direitas,
maioria absoluta para o Partido Socialista e crescimento espectacular
do Bloco de Esquerda, que passa de 3 para 8 deputados e deputadas.
Estes resultados têm o valor acrescido de terem sido alcançados
com uma quebra da abstenção em 3 pontos percentuais.
Fecha-se um ciclo e regressa a política!
Miguel Portas,
22.02.05
-
A
derrota, a maioria e a diferença
Quem perde: a uma semana dos votos está claro. Perdem
as direitas, em particular o PSD, e em absoluto Santana Lopes.
Em conjunto, não passam dos 36 a 37%, e isto dizem as
sondagens mais favoráveis. Em separado, o PSD dificilmente
vale mais que 30 pontos; e só por milagre, na noite das
facas longas, Santana Lopes resistirá à coligação
de abutres liderada por Cavaco Silva.
DN Opinião, Sintomas, 12.02.05
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Diferença
mínima garantida
O acessório, desde logo: um frente-a-frente
que não ficará na História. Mas que suscita
breves reflexões. A primeira: este jornal e o Público
deram vitória ligeira a Santana Lopes. Não sei
onde foram buscar tal ideia.
DN Opinião, Sintomas, 05.02.2005
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Isto
tem saída
O défice do Estado, os famigerados três
por cento, transformou-se no alfa e ómega da campanha
eleitoral. Ainda bem. Assim, a insanidade que assolou o pensamento
da ortodoxia económica confrontar-se-á com as
realidades da vida.
DN Opinião, Sintomas, 22.01.05
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O
calvário
O episódio do outdoor dos «cinco magníficos»
marca um ponto sem retorno. O professor Cavaco disse ao eleitorado
laranja que quem esteja com ele para Presidente da República
não deve estar por Santana Lopes nas legislativas. A
sua decisão não é mais um «obstáculo»,
como a definiu o abatido primeiro-ministro-demitido-mas-ainda-em-exercício.
DN Opinião, Sintomas, 06.01.05
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Finalmente!
Tarde e a más horas, mas mais vale tarde que
nunca.
A primeira lição destes meses não desaparece
com o nosso contentamento. Desta, Jorge Sampaio esteve bem.
Mas, ao fazê -lo, mostrou como antes decidira mal. Durante
quatro meses, o País assistiu ao pesadelo cómico
de Santana Lopes. Não era preciso. Por muitos que sejam
os nossos pecados, tal expiação dispensava-se...
DN Opinião, Sintomas, 02.12.04
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