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Armas proibidas

Miguel Portas
artigo publicado no Sol, 18.11.2006

 


Chego de Estrasburgo a Paris com intenção de revoar até ao Porto. Impossível. A TAP cancelara.

Eis como uma manhã pode começar mal. Tive que anular uma visita programada a Aldoar, onde havia estado há um ano, explicando, no café da associação de moradores, o que as pessoas ‘não deviam fazer’ quando queriam partir para a Holanda. Tinha notícia do regresso de duas famílias, depois de terem sido burladas, e queria falar com elas. As histórias deste tipo na Holanda continuam, apesar dos sindicatos terem metido acções contra duas das firmas – a The Five e a Columbus – com longas listas de histórias recentes e antigas.

 

No Porto, esperava-me, também, uma sessão pública sobre a situação na Palestina. A essa ainda consegui chegar a tempo. É dificilmente imaginável, para quem viva em Portugal, a situação em que as pessoas da faixa de Gaza sobrevivem. Tão inimaginável, que até a direita acabou por votar no Parlamento Europeu uma resolução onde, pela primeira vez, se condena abertamente Israel, e não apenas o seu costumeiro ‘excesso de força’.

Claro que não está lá tudo. Falta, por exemplo, o que a Rai italiana, a convite de um grupo de eurodeputados, foi mostrar a Estrasburgo: uma reportagem sobre o uso de novas armas por Israel, que queimam até ossos e obrigam a amputação imediata. «Se as pessoas forem atingidas do abdómen para cima, não podemos fazer nada por elas», garantem os médicos do Hospital de Gaza.

Este tipo de arma é composto por fósforo e tungsténio, garantem especialistas italianos. Israel não nega, apenas enfoca: «A ideia é atingir com maior precisão as pessoas visadas, sem provocar danos nos inocentes que passam», justifica o actual general do ar israelita, antigo responsável pelo programa de armas do Tsahal. Um humanista, portanto.

Estes novos engenhos contrariam evidentemente as convenções internacionais sobre armas químicas. Mas não são ilegais: novas, ainda não entraram no cardápio das proibidas… Há coisas em que a chamada Comunidade Internacional é rápida como o relâmpago. E outras em que é, simplesmente, uma presa da Casa Branca. Com a Palestina assim tem sido.

 

Miguel Portas